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Saturday, 15 August 2015

Projeto Nós Mães - Babá ou Escolinha?

Nós Mães é um projeto criado por Laura, do blog Maede2, e mais 8 mães que irão fazer postagens quinzenais sobre as mais diversas experiências da maternagem.

E hoje o tema é: para as mamães aflitas que têm que voltar a trabalhar, qual a melhor opção:
Escolinha ou babá? 


Leela e vovó querida



















Eu A gradiva
Babá ou escolinha?
Eis a questão. Por sinal muito difícil. Deixar seu bebê com alguém de extrema confiança que lhe dedicará cuidado exclusivo ou deixá-lo num ambiente com mais crianças no qual terá atividades programadas e diferentes estímulos? Eu morei na Irlanda por sete anos onde tive a minha primeira filha. Lá a licença maternidade remunerada é de 6 meses e as mães têm o direito de tirar mais 4 meses de licença não remunerada. Adicionando férias geralmente as mães têm quase 1 ano pra curtir seus bebês. Praticamente todas as mães que começo tiraram toda a licença, é muito bom ter essa possibilidade, e saber que podemos passar esse tempo precioso com nosso bebê sem ficar ansiosa pensando no quê fazer no final da licença. Quando a Leela estava com quase 8 meses eu voltei a trabalhar, tomei essa decisão por questões financeiras e também porque achei que era o momento certo. Na Irlanda qualquer serviço infantil, seja escola ou cuidadora é caro,  por isso contratar uma babá não foi uma opção. Com a ajuda da sogra consegui acertar pra Leela ir 3 dias na escolinha, de segunda a quarta e na quinta ela ficava na avó, na sexta eu trabalhava meio período e organizava com o marido ou alguém de confiança pra ficar com ela. Deu muito certo, ela chorou alguns dias no começo mas logo se acertou e gostava muito de ir. E por ser apenas 3 dias eu não me sentia tão mal de deixá-la lá e sempre aguardávamos ansiosas o dia de ficar com a vovó. Quando tive o Nicholas eu tinha me mudado para o Brasil e havia deixado meu trabalho, então felizmente eu pude curtir meu bebê novamente sem muita pressa de voltar a trabalhar.  Quando ele estava com 10 meses decidi colocá-lo em uma escolinha no período da tarde. Eu acredito que a convivência com outras crianças e as atividades e estímulos que a escola oferece são muito importantes para o desenvolvimento da criança. 
Minha opinião pessoal sobre deixar com babá ou colocar na escolinha: se seu bebê ainda for novinho, por exemplo se tiver menos de 10 meses,  eu acho legal deixar com uma cuidadora, mas é importante encontrar alguém de extrema confiança e que adore crianças.
Acima de 10 meses ou um ano o bebê já está bem mais ativo e daí considero a escolinha mais interessante por todos os estímulos que oferece. Mas com certeza essa é uma decisão de cada família que deve avaliar o melhor para o seu bebê. E continuamos firme na luta por uma licença maternidade ampliada no Brasil! 😀👍👍

Wednesday, 10 September 2014

Sobre a Laqueadura e a ingratidão de certos homens

Há muitas, mas muitas coisas que me revoltam na questão do tratamento desigual em relação às mulheres. Mas sobre uma certa desigualdade eu gostaria de falar hoje, porque essa me revolta muito:

A Laqueadura Tubárea


Ontem conversei com uma pessoa que tem 1 filho de 7 anos, sofreu 1 aborto e perdeu 1 bebê com 5 meses, não quero nem imaginar o sofrimento que essa pobre mãe passou. Ela está grávida e disse que vai fazer cesárea, porque já teve outra cesárea, e já vai aproveitar pra fazer laqueadura. Bom, começando pelo "fazer cesárea, porque já teve outra cesárea", eu nem vou falar muito à esse respeito, vou deixar para os meus outros posts sobre o parto natural e humanizado e sobre todo meu ativismo à esse respeito. Mas em suma, é além de possível, mais seguro, fazer um parto normal após uma cesárea que aconteceu há 7 anos do que uma nova cesárea. Outra questão é que, pelo que tenho informação, a laqueadura seguida ao nascimento é proibida por lei aqui.
Mas voltando à questão da laqueadura, eu perguntei à ela, "mas seu marido não faria vasectomia?" E ela respondeu: "Ele não quer fazer porque tem medo".

Isso me deixa realmente, absurdamente, indignada com a atitude dos homens. Aqui no Brasil, nessa nossa cultura machista, a grande maioria dos homens pensa assim: "não quero fazer, estou com medo, sei lá o quê isso pode causar no meu pênis..." e por aí vai!
Mas será que eles não pensam na mulher? Na sua companheira? Não pensam que ela também tem medo? De ter que fazer uma cirurgia, 7 camadas cortadas, anestesia rack ou peridural com todos os seus efeitos colaterais, 40 dias de recuperação etc etc?? Os tubos cortados ou amarrados, e o lance das energias (pra quem acredita nisso) que devido a esse "bloqueio" as energias não fluirão mais naturalmente no corpo da mulher? Eu acredito nisso.
A vasectomia é uma pequena cirurgia, com anestesia local, 2 pequenos cortes dos 2 lados do saco escrotal, no DIA SEGUINTE o homem já está recuperado e andando e fazendo o que tiver que fazer, ao menos foram essas as informações dadas pela assistente social em nossa entrevista sobre as 2 opções.

Nós mulheres somos quem tomamos anticoncepcional pela vida toda, lembrando que esses são hormônios sintéticos que afetam nosso humor, nossa libido, nosso apetite, enfim que afetam nosso organismo de forma geral. Somos nós que carregamos o bebê por 9 meses na nossa barriga, e eu sei que é maravilhoso, mas também é muito difícil, muitas de nós assim como eu, passamos por 13 longas semanas de enjôo e mal estar, e no fim também temos dificuldade de andar, ficamos inchadas, com dor de estômago, queimação... Somos nós que parimos, seja por parto normal ou por cesárea, e passamos todas as dores, seja do trabalho de parto ou da recuperação da cirurgia, somos nós que amamentamos por meses ou anos, e por consequência temos que acordar por várias vezes à noite durante tanto tempo.

É muito importante que as mulheres reconheçam toda sua dedicação e esforço e se valorizem. E que dessa forma se sintam que elas se sintam confiantes e seguras pra exigir, com carinho é claro, um reconhecimento por parte de seus parceiros. Eu acredito que seja mais do que justo e o mínimo que os homens possam fazer por nós em consideração a tudo que nós mulheres passamos para garantir a reprodução da humanidade. Eu sinceramente espero que as mulheres e homens se informem mais e que os homens passem a contribuir dessa pequena forma para nos poupar de mais esse esforço e sofrimento que é a cirurgia de laqueadura tubárea.

Eu imagino essa mulher, que além de tudo que citei também passou por grandes perdas e com certeza teve mais dificuldade pra lidar com elas porque foi ela quem gerou, foi seu corpo que passou por uma transformação e por um trauma, e simplesmente não consigo entender a atitude de seu companheiro. Não consigo ver nesse homem onde está o carinho, o cuidado, a valorização de sua companheira, e a gratidão pelo que ela lhe proporcionou. Gostaria de acreditar que é somente falta de informação, que esse homem nunca teve a intenção de ser egoísta e ingrato. 

Por esse motivo, estou escrevendo esse post, pra trocar algumas informações, pra questionar homens e mulheres sobre sua postura em relação à reprodução e à contracepção, que fica SEMPRE na responsabilidade das mulheres. Não é justo e espero que algumas mulheres se conscientizem dessa injustiça.

PS: Procurarei melhorar esse post inserindo artigos ou informações confiáveis sobre as questões levantadas.


http://www.celsomarzano.com.br/si/site/0909

Vasectomia ou Laqueadura? A laqueadura é uma cirurgia de maior porte, por ser intra abdominal, de maior custo por necessitar ser realizada em ambiente hospitalar e também na esfera emocional, a mulher aceita menos o fato de não poder ser mãe novamente, mesmo que naquele momento tenha decidido pelo procedimento. Não todas, mas muitas mulheres têm problemas emocionais neste aspecto a médio e em longo prazo.
A vasectomia é uma cirurgia simples, ambulatorial (não precisa de internação), feita com anestesia local, em que o paciente sai andando, necessitando de um repouso relativo por dois dias. O custo é menor e a recuperação é rápida. Muitas vezes pelo medo do homem e por preconceitos, a opção vai para a laqueadura.

Tuesday, 9 September 2014

Gradiva, A Mulher que Anda

Eu fiquei fascinada quando, 11 anos atrás, estudando Freud para concursos, me deparei com a história da Gradiva. A história em si não tem muito sentido, uma novela de Wilhelm Jensen, em que um arqueólogo se depara com uma escultura em baixo relevo de uma mulher caminhando graciosamente, e lhe dá o nome de Gradiva (baseada no deus romano Mars Gradivus - deus da guerra caminhando para a batalha). Ele fica fascinado por essa escultura e mais tarde sem saber ao certo se era sonho ou realidade, se encontra com ela nas ruínas de Pompéia. Ele a segue e tenta conversar com ela, mas ela não responde e segue caminhando, desaparecendo de sua vista. Essa história acabou ficando famosa porque Sigmund Freud escreveu um artigo analisando as ações e os sonhos do personagem. Após o ensaio de Freud, "A Gradiva: A mulher que anda", se tornou uma figura mitológica moderna. 

O que me intrigou na história da Gradiva foi a descrição da tal escultura. Somente agora muitos anos depois eu fui ver a imagem, mas quando li sua descrição eu imaginei uma mulher linda e enigmática, ele dizia que ela olhava meio que pra frente meio pro chão, mas era um olhar fixo, com um pé na frente como a dar um passo porém aparentemente sem pressa. Eu pensei, ela deve estar preocupada, pensando em outra coisa, por isso não olha pra frente, mas ela pode estar focada em algum pensamento, o que será?? Minha imaginação viajou, sem saber muito o porquê eu me apaixonei por essa figura, ela parecia que tinha muito a me dizer.

Pensando em um nome criativo para o meu blog, a Gradiva de repente me veio à mente, ela pra mim representa a feminilidade, ela aparenta calma e sutileza, mas ela também tem preocupações, porém estas não a impedem de seguir em frente, e ela continua caminhando, graciosamente. 

Assim me vejo e assim vejo muitas mulheres à minha volta, ainda há muita discriminação e injustiça contra as mulheres em todo o mundo, porém não podemos perder a esperança da mudança, e devemos continuar lutando, caminhando...Mas também não acredito que devemos lutar ferozmente com unhas e dentes para conquistar nossos direitos e liberdades. Acho que isso pode ser feito com carinho e graciosidade. 

Nesse blog quero passar um pouco da minha história, das minhas visões de mundo, assim como das histórias e visões de outras mulheres que tocaram minha vida de alguma maneira.

Graciosamente
Adelita Monteiro :)